Afipea expõe necessidade de Reposição Salarial em 2022

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Afipea expõe necessidade de Reposição Salarial em 2022

Na última quarta-feira, 24 de novembro, a Afipea-Sindical se reuniu com a Presidência e Assessorias do Ipea para tratar de pautas pertinentes aos servidores. Como ponto primeiro e principal de pauta, o sindicato chamou atenção para a corrosão do poder de compra dos salários do funcionalismo civil, congelados, no caso do IPEA, desde janeiro de 2019 e buscou o apoio do órgão para o reajuste salarial.

Outros temas levantados na reunião para futuras conversas versaram sobre:

Ponto de pauta II – Necessidade de maior engajamento político-institucional do IPEA nas tratativas junto ao Ministério da Economia, Presidência da República e Congresso Nacional, com vista a reverter a extinção do cargo de Analista de Sistemas do Ipea, bem como avançar na proposta de unificação de todos os cargos de nível superior em uma única e mesma carreira de Planejamento e Pesquisa do Ipea;

Ponto de pauta III – Necessidade do IPEA atuar, seja de modo direto, seja por meio de contratação especializada e específica, no acolhimento e atendimento psicológico dos servidores do órgão. O acolhimento se faz necessário em função da sobrecarga emocional causada pela pandemia da Covid-19, do stress durante o longo período de trabalho à distância, como também em função das mudanças de locais de trabalho no Rio e em Brasília, processo este que vem sendo realizado sem nenhum tipo de preparação psicológica prévia ou concomitante.

A Afipea considera extremamente importante o acompanhamento psicológico dos servidores do IPEA diante da sensação de abandono e perda dos locais históricos, que foram sede do exercício da profissão por longo período de tempo. Também leva em consideração os sentimentos de insegurança, incerteza, ansiedade, angústia, medo e outros mais, relatados pelos servidores e associados ao sindicato no dia a dia.

Para os dois temas supracitados, o sindicato espera maior sensibilização e atuação por parte da atual presidência e diretorias do Ipea, e que novas e mais intensas rodadas de conversas, tais quais as promovidas pela Afipea durante as Jornadas de Junho 2021, possam ganhar tempo, espaço e materialidade nos próximos meses.

Em relação ao tema principal da reunião, do reajuste salarial, a Afipea lembra que a proposta orçamentária original para 2022, encaminhada ao Congresso em agosto, não incluiu previsão de reajuste para o funcionalismo civil. Com a alta da inflação em curso, entre 2019 e o fim de 2022 o IPCA acumulará crescimento de 25% e o IGP-M de 65%. Acrescente-se a isso que a Lei Complementar 173/2020 impede reajustes em primeiro ano de mandato, ou seja, sem reposição ano que vem o arrocho remuneratório prosseguirá até pelo menos o fim de 2023, com variação projetada do IPCA (2019 a 2023) de 30% e do IGP-M de 72%.

Além do congelamento salarial, servidores civis do Executivo estão com diárias e benefícios extremamente defasados, enquanto transporte, alimentação, planos de saúde, entre outros preços não param de subir. As diárias do Governo Federal não são atualizadas desde julho de 2009, contra alta dos preços gerais medidos pelo IPCA de 100% até outubro de 2021, ou seja, os servidores que precisam viajar a serviço atualmente pagam parte das despesas com recursos dos próprios bolsos. A tabela do auxílio saúde teve a última correção em janeiro de 2016, contra variação do IPCA de 34% desde então.

Em reunião, o presidente do Ipea, Carlos Von Doellinger, posicionou-se contra o pleito de reajuste salarial dos servidores junto ao Ministério da Economia ou Presidência da República. Nas últimas semanas, a Afipea, juntamente com as entidades do FONACATE, encaminhou ofícios ao Ministério da Economia solicitando posicionamento quanto à reposição das perdas inflacionárias, mas ainda não houve resposta.

Em relação à unificação das carreiras, foi acordado que a Afipea enviará um ofício com a proposta do GT/Carreiras que será analisada pelo Ipea. Neste ponto a assessoria informou que o Ipea já discute o assunto e que fará a análise da proposta para marcar reunião específica para tratar do tema.

Quanto ao terceiro ponto da pauta, o presidente da Afipea, José Celso Cardoso Jr. demonstrou preocupação com a saúde dos servidores do Ipea, sobretudo a saúde mental/emocional em contexto ainda de riscos derivados da pandemia e do trabalho não presencial. Segundo Doellinger o prédio da sede em Brasília é de alta qualidade e que com a nova sede, o Ipea se torna perene. Com isso, o presidente do Ipea considera que a mudança de sede “é um grande salto para a Instituição e não vê preocupação com o tema”.

Diante dos encaminhamentos da reunião e sem mesa de negociação para a questão salarial, a postura do governo tem mostrado que será necessário um engajamento mais amplo do conjunto de servidores civis federais para reverter esse quadro.

A hora é agora!!!

Sem luta não há salvação!!!

Afipea-Sindical