Pesquisador defende articulação entre Estado, Mercado e Sociedade

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Pesquisador defende articulação entre Estado, Mercado e Sociedade

O Estado não é inimigo do crescimento econômico. Pelo contrário: a junção de forças entre o capital privado e o incentivo estatal foi responsável pelo desenvolvimento de vários países pelo mundo, inclusive o Brasil. Por isso, é um erro apostar na redução do Estado como solução para os desafios econômicos.

A opinião é do economista José Celso Cardoso Jr. Ele participou a audiência pública “O Estado Necessário ao Desenvolvimento Brasileiro no Século XXI”, realizada no dia 26 de agosto no Senado Federal. Doutor em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp, pesquisador do Ipea e presidente da Associação dos Funcionários do Ipea, ele defende que a ideia de desmonte do Estado brasileiro é uma proposta que não condiz com as necessidades do país.

“O que está se propondo como modelo de desenvolvimento e sociedade é contrário à experiência internacional exitosa e contrário à própria experiência brasileira que nós conseguimos construir no Brasil”, afirma. Segundo o pesquisador, é preciso avaliar resultados positivos obtidos pelo Brasil, como o combate à pobreza em paralelo ao desenvolvimento econômico.

Para o economista, é “surreal” dizer que o Estado brasileiro é anticapitalista. A história do Estado no país teria como base a articulação do Estado para a criação de bases para a acumulação capitalista. Na primeira década dos anos 2000, o crescimento econômico foi combinado com a inclusão social. “E isso não se deu sem o Estado. Isso se deu em uma articulação virtuosa entre o Estado e o mercado, com crescimento do emprego e crescimento do PIB”, completa.

José Celso Cardoso Jr. teceu ainda críticas à reforma administrativa em curso. Ele explicou que o Serviço Público se organiza em quatro pilares: a estabilidade dos servidores, a remuneração adequada e previsível, a capacitação permanente para a melhoria do desempenho institucional e a cooperação, ao invés da competição, como método e fundamento do trabalho no setor público. Tais pilares são fundamentais para um desempenho institucional satisfatório dos servidores e das próprias organizações públicas a serviço da sociedade.

Durante a audiência pública, ele também apresentou o livro “30 anos da Constituição Federal Brasileira – Notas para um obituário precoce (1988/2018)”, editado pela Associação dos Funcionários do Ipea.

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